O sucesso pode estar escondendo o seu maior problema

Existe um momento curioso na carreira de muitos líderes. É quando tudo parece estar dando certo.

A equipe reconhece seu trabalho, a empresa cresce, os clientes continuam chegando e os resultados confirmam que você está no caminho certo. Para quem observa de fora, a impressão é de que não há motivo para preocupação. Mas existe uma pergunta que quase ninguém faz.

Quanto está custando esse sucesso?

Nem todo resultado é sustentável. Algumas conquistas são financiadas por noites mal dormidas, finais de semana interrompidos, excesso de preocupação, alimentação desregulada e uma rotina que deixou de existir. Aos poucos, a agenda se torna tão cheia que já não existe espaço para pensar. O líder passa o dia resolvendo problemas, apagando incêndios e tomando decisões urgentes. No fim da jornada, sente que produziu muito, mas não construiu quase nada.

O mais perigoso é que esse modelo costuma ser recompensado. As pessoas elogiam quem responde mensagens de madrugada. Admiram quem nunca tira férias. Consideram comprometido aquele que resolve tudo sozinho. Aos poucos, o excesso deixa de parecer um problema e passa a ser tratado como uma virtude.

Foi exatamente essa armadilha que encontrei em diferentes momentos da minha carreira.

Quanto mais resultados entregava, mais responsabilidades recebia. Quanto mais confiavam em mim, mais decisões passavam pela minha mesa. Eu interpretava isso como crescimento profissional. E, de fato, era. O que não percebia é que meu crescimento estava acontecendo apenas em uma direção.

Minha capacidade de produzir aumentava, e a capacidade de viver diminuía.

Existe uma diferença importante entre ser indispensável e ser insubstituível. O profissional indispensável cria valor para a organização. O insubstituível cria dependência. Quando tudo depende de uma única pessoa, o problema não é a equipe.

É o modelo de liderança.

Muitos gestores acreditam que centralizar garante qualidade. Na prática, centralizar costuma impedir que outras pessoas desenvolvam competência. Enquanto o líder continua resolvendo tudo, a equipe continua esperando orientação para quase tudo.

No início, isso transmite uma sensação de controle, com o tempo, transforma-se em prisão.

Talvez o maior sinal de maturidade profissional seja perceber que sucesso não pode ser medido apenas pelos resultados que você produz, mas também pelos resultados que consegue produzir sem sacrificar aquilo que torna a vida valiosa.

Porque liderança não é sobre ser o centro de todas as soluções. É construir pessoas, processos e princípios capazes de sustentar resultados ao longo do tempo. No fim das contas, a pergunta mais importante talvez não seja se você está tendo sucesso. A pergunta é outra.

O sucesso que você está construindo hoje é capaz de sustentar a vida que deseja viver amanhã?

Saiba mais: taggo.one/fernandomoraisdosreis

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